domingo, 31 de janeiro de 2010

Relógio sem horas

Uma praça redonda, verdinha, florida, colorida. Chuva fina, garoa. Jardineiros fazendo seu trabalho, deixando tudo mais bonito. Carros, bicicletas, ônibus e motos cada qual seguindo seu caminho.

Uma garota triste sentada na calçada ao lado de seus sapatos. Ela olha para o tempo e parece que ele olha de volta pra ela. Ela parece perdida, num momento de reflexão, pensando em todas as coisas da vida e vendo um pouco da vida passar. Tudo lá fora passando depressa.

Seu coração marca o tempo.

Quando seu coração sorri e transborda de amor tudo parece passar tão rápido, em pequenos flashes. Mas quando seu coração chove por causa da tristeza, da saudade, da lembrança, tudo passa em slow motion.

Seu coração não tem ponteiros, nem areia de ampulheta, mas ele controla o tempo, todo o tempo.

A garota triste descalça na calçada abre um sorriso para todos os que passam, ultrapassam. Algumas vezes escuto o tic tac do seu relógio. Estou vendo seu filme em quadros.

Os pássaros cantam uma sinfonia de alegria, a garoa continua a cair, os carros nunca param de passar, a pessoas passam pela garota que tem um triste olhar. Uma pequena história diz que “tudo vai passar” e realmente passa.

Da minha varanda vi uma praça, jardineiros, uma garota, pessoas. Da minha varanda vi o tempo, eu também estava descalça.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Olho mágico

Seus olhos eram mágicos.
Olhos que contam histórias,
Que mudam de cor.
Olhos que parecem labirintos.
Seus olhos são misteriosos,
Tem o poder de confundir.
São olhos que falam mudos,
Que te dizem tudo.
Olhos castanhos, verdes, azuis, vermelhos,
Olhos tão profundos.
Olhos navegáveis.
Seus olhos são místicos,
Eles têm o poder de me enfeitiçar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Escrita com B

Bobo sorriso, bobo
Balançar de cabeça
Bochechas vermelhas
Morrendo de vergonha
De vergonha escrita com bê

Eu também quero postar Caio F.

“Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma outra alegria além de ti. Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara.”

Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Head Over Feet

sábado, 16 de janeiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Existe razão nas coisas feitas pelo coração?


Um casal de velhinhos, está junto faz mais de cinquenta anos. Ele é calma, manso, fala por meio de charadas. Ela adora sair, de preferência para ir ao médico. Ambos apressados e teimosos. Tem um ditado que diz: “Dois bicudos não se beijam”, no caso desses dois, não se beijam mesmo. Velhinhos e bicudos resolveram fazer uma ‘aposta’, decidiram ver quem era mais teimoso. Até agora nenhum venceu. O casal de velhinhos decidiu ver quem conseguia ficar mais tempo sem falar com o outro, decidiram já faz quase nove anos. Essa semana a velhinha viajou. Sempre que ela resolve viajar é a mesma história. O velho fica triste, o dia inteiro no quarto, ouvindo músicas antigas no rádio. A velha arruma mil e uma desculpas para voltar logo pra casa e acaba voltando muito antes do combinado. Os dois morrem de ciúmes, de saudades, de amor. Mas os dois são bicudos e não dão o braço a torcer. O casal de velhinhos vive assim, morrendo de amores, mas sem se dar por vencer. Você aposta em quem? Eu aposto no amor, acredito que um dia ela vença.

A cegueira do amor

Todos os sentimentos dos homens, reunidos num lugar da terra, tiveram uma idéia:
Vamos brincar de esconde-esconde?
A curiosidade sem poder conter-se perguntou:
Esconde-esconde?
O que é isso?
É um jogo, explicou a loucura, em que eu fecho meus olhos, conto até 100 enquanto vocês se escondem.
Quando eu terminar começo a procurá-los, e o primeiro que eu encontrar ocupa o meu lugar no jogo.

O entusiasmo dançou, a alegria deu tantos saltos que acabou convencendo a dúvida e até a apatia, que nunca se interessava por nada.
Mas nem todos participaram.
A verdade preferiu não se esconder.
A soberba opinou que era um jogo muito tolo e a covardia preferiu não se arriscar.

Um, dois, três...
Começou a contar a loucura.
A primeira a se esconder foi a pressa...
A fé subiu ao céu e a inveja se escondeu atrás da sombra do triunfo, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da árvore mais alta.
O esquecimento... Não me recordo onde se escondeu...

Quando a loucura estava lá pelo número 99, o amor ainda não havia achado lugar para se esconder...
Até que encontrou um roseiral e decidiu ocultar-se entre as rosas.

- 100! Terminou de contar a loucura. E começou a busca. A primeira a aparecer foi à pressa.
Depois escutou a fé...
Num descuido encontrou a inveja e, claro, pôde deduzir onde estava o triunfo.

A dúvida foi mais fácil ainda.
Encontrou-a sentada numa cerca sem decidir em que lado se esconder.
E assim foi encontrando a todos:
O talento, nas ervas frescas;
A angústia numa cova escura...
Apenas o amor não aparecia.

Quando a loucura estava quase desistindo encontrou um roseiral, pegou uma forquilha e começou a mover os ramos.
No mesmo instante ouviu-se um doloroso grito.
Os espinhos tinham ferido o amor nos olhos.
A loucura não sabia o que fazer para se desculpar...
Chorou, rezou, implorou e até prometeu ser seu guia.

Desde então o amor é cego e a loucura sempre o acompanha.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Domingo

Pôr-do-sol numa rede da varanda. Brisa leve, pássaros cantando. Música baixa, lendo um livro que ganhei. Bom final para uma tarde de domingo!

Menos 'sem querer'

Quando pequenos gestos se tornam algo grande
As palavras podem vencer as grandes batalhas
Contra o medo, a cólera e a fúria que vem de fora.
Quando vocês se cansarem de fazer piada com o outro
Poderão ver que não há mais ninguém sorrindo.
Quando as feridas se curam as feras ainda são feras
Mas será que as Estrelas cadentes ainda são estrelas?
Que os seus olhos vejam o que o coração sente
Para que quem sabe toda essa gente possa
Agir muito menos ’sem querer’
Que sejam capazes de dizer:
Eu amo você!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Indecisa Libra

Fazê-la sofrer é uma coisa bem simples.
É inacreditável de tão fácil.
Pra fazê-la sofrer é só você falar: ‘Escolha você!’
Duas palavras e já ela está desarmada.
Desarmada e indecisa.
Indecisa Libra.
A indecisa Libra não se conforma em ter que escolher
um caminho e abrir mão de outro.
Porque que você acha que ela sempre anda com uma balança?
Indecisa Libra não é teimosa.
Indecisa Libra é muito teimosa.
Essa garota, Libra, não sabe ficar sozinha,
mesmo quando precisa ficar só.
A menina Libra fala sobre qualquer assunto,
nunca sabe a hora de parar de falar.
Senhorita Libra é sempre sincera,
ela acredita que se você pediu sua opinião
é porque está preparado para ouvir a verdade.
Fazê-la sofrer é uma coisa bem simples.
É inacreditável de tão fácil.
Pra fazê-la sofrer é só você falar: ‘Escolha você!’

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Não quero que seja um filme

Algumas vezes penso que a vida poderia ser como nos filmes. Nos filmes tudo se resolve tão rápido, tão fácil e de forma tão simples. Nos filmes as vidas têm noventa minutos.
Mas que graça teria viver a vida sempre com um roteiro nas mãos, com falas escolhidas, ações programadas. A vida perderia a graça, as surpresas é que [me] fazem bem.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Novas idades


Carambolas,
Frutas azedas,
Doces amargos.
Convites esquecidos,
Perdidos, recusados.
Cidades pequenas.
Desenhos sem traço.
Dois segundos...
Agora fale tudo!
Estantes estáticas.
Segredos contados
No horóscopo.
Quente frio da noite.
Som de vitrola.
Relógio sem horas.
Meninos poetas.
Águas-vivas cristalinas.
Não diga nada,
Só isso basta.
Amigos, humores,
Amoras, amores
Pode ser bem legal!
Pôr-do-sol em cores.