Acordou antes do Sol, só pra poder vê-lo nascer num dia novo.
No rádio, já ligado àquela hora, tocava uma canção daquelas que se pode sentir.
E o calendário conta o tempo que falta, conta o tempo que passou.
Volta pra cama para roubar o calor que ainda lhe resta.
Bebe um suco, fuma seu cigarro com leves tragos.
O relógio ainda marca as horas.
A parede descascada ainda espera uma mão de pintura.
As cobranças se acumulam na caixa do correio, todos os tipos de cobrança, cartas de mãe.
O telefone toca, mas ninguém vai atender.
As torradas estão prontas só que a geléia acabou.
Levanta.
Senta com papel e caneta.
Escreve mais um drama pessoal, um conto, uma receita de bolo, uma novela mexicana, um folheto promocional, um tratado sobre a paz mundial, um diário sobre sua melhor amiga.
Lê a manchete do jornal que acabou de chegar.
Abre o guarda-roupa para ver o que vestir.
Piscar de olhos, respiração.
Banho frio, cabelos penteados.
Malas prontas, onde está mesmo a passagem?
Trânsito, congestionamento, estresse, palavrões, aeroporto, carregador de bagagens, check in, longa fila, espera, fila de espera, segurança, detector de metais, tudo rápido, atraso.
Chega correndo, te olha, você sorri.
Malas jogadas ao chão.
Tudo voltou a ter sentido.
Longo abraço... beijo...
Fazer as pazes é muito bom.
Ônibus 4010-32 (cont.)
Há um ano

