domingo, 28 de fevereiro de 2010

Bandeira branca

Acordou antes do Sol, só pra poder vê-lo nascer num dia novo.
No rádio, já ligado àquela hora, tocava uma canção daquelas que se pode sentir.
E o calendário conta o tempo que falta, conta o tempo que passou.
Volta pra cama para roubar o calor que ainda lhe resta.
Bebe um suco, fuma seu cigarro com leves tragos.
O relógio ainda marca as horas.
A parede descascada ainda espera uma mão de pintura.
As cobranças se acumulam na caixa do correio, todos os tipos de cobrança, cartas de mãe.
O telefone toca, mas ninguém vai atender.
As torradas estão prontas só que a geléia acabou.
Levanta.
Senta com papel e caneta.
Escreve mais um drama pessoal, um conto, uma receita de bolo, uma novela mexicana, um folheto promocional, um tratado sobre a paz mundial, um diário sobre sua melhor amiga.
Lê a manchete do jornal que acabou de chegar.
Abre o guarda-roupa para ver o que vestir.
Piscar de olhos, respiração.
Banho frio, cabelos penteados.
Malas prontas, onde está mesmo a passagem?
Trânsito, congestionamento, estresse, palavrões, aeroporto, carregador de bagagens, check in, longa fila, espera, fila de espera, segurança, detector de metais, tudo rápido, atraso.
Chega correndo, te olha, você sorri.
Malas jogadas ao chão.
Tudo voltou a ter sentido.
Longo abraço... beijo...
Fazer as pazes é muito bom.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Pontue você o som da canção

Todos se moviam como se fossem uma canção
Os corpos inertes dançavam
Era um vulcão de emoções
Emoções vivas
Guiadas pela alegria
Que iluminava o dia
Ações coloridas
Dedos dançando pela máquina de escrever
Movimento espontâneo
Momentâneo
Seqüências descabidas de tanto cabimento
Devaneios delirantes
Pura divagação
Indo tão rápido
Cores cintilantes
Voar
Andar
Sambar
Ela sorri
Ele está encantado
A princesa e o príncipe
Sem a parte do conto de fadas
Aquilo é real
Delírios
Suspiros
Tremores
Suores
Calores
Céu de estrelas
Ser meu só meu
Muitos minutos
Sentidos os segundos
Baús do tesouro
Que não guardam apenas ouro
Teclas de piano
Pretas brancas
Melodias surreais
Transcendentais
Que dão vontade de gritar
E colocar todas as coisas boas pra fora
Pra respirar
E compartilhar
Todo esse amor
Inventando
Um blues-rock-samba-pop
Correndo atrás das bolhas de sabão
Como uma criança
Que não tem nada a perder
Viver sabendo
Que ainda temos uma vida toda pela frente
Saldo zerado no banco
Mas e daí
Vamos pular
Brincar
Sair
Uma duas três paginas
Viu você consegue
Vamos rodar
Até ficarmos tontos
Pintar nossos rostos
Com carinha de animais
Amigos irmãos de coração
Onomatopéias
Fingir ser gente grande
O sem nexo consegue conjugar verbos muito mais que perfeitos
Rodando no carrossel
Vendo você sorrir
Seu olhar sorrir pra mim
Uma mãe diz para o filho: Eu te amo
Gols campeonatos comemorados
Várias coisas perdidas achadas
E ouvindo essa canção a vida fica menos chata

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Nem o maior dos poetas

É um sentir tão grande.
É imenso,
É intenso,
É insano,
É,
E não se permite explicar.

Um sentir incomensurável
Um sentir,
Que nem o maior dos poetas,
Conseguira [d]escrever.

Ele é tão grande que vira gente.
Você deixa de SER e vira o SENTIMENTO.
Um sentimento que desconhece a existência do tempo,
Que faz o resto do mundo desaparecer.
O sentimento que sou EU vive por tudo que é VOCÊ.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Porque os olhos não têm fim

É tão bom... Posso ficar a vida inteira só te olhando, um olhar de três. Três segundos para seu olhar fugir do meu.
É tão bom... Ficar olhando sua vergonha que eu não entendo. O brilho dos seus olhos sorrindo.
É tão bom... Tentar decifrar o que eles estão me dizendo. Seus olhos coloridos.
É tão bom... Ler seus sinais. Sinais de pressa, ansiedade, impaciência... Outros tantos sinais.
É tão bom... Ver seus olhos de tantos porquês. Ver no escuro, quando ninguém mais vê.
É tão bom poder abrir meus olhos e ver você.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado.
Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança.
É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.
...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele,
vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.
Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.
Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que?
Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.
Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.
... e é assim que se rouba um coração, fácil não?
Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade, a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!
E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples... é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.

Luís Fernando Veríssimo

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Diferente de tudo que existe


Mexendo nas gavetas encontrei uma mensagem que recebi em um dos meus aniversários. Mesmo sem pedir permissão vou ‘roubar’ um trecho, transcrevê-lo logo abaixo.

“Eu queria escrever pra você uma mensagem bem legal!
Diferente de tudo que existe, que ao ler, seu coração pulasse mais rápido, seus olhos brilhassem mais e seus lábios expressassem o mais lindo sorriso;
que te deixasse mais feliz e realizada, queria encher sua vida de estrelas e flores...
É muita pretensão, eu sei, mas eu queria mesmo.”

Pode ser que seja mesmo pretensão, mas eu também queria escrever tudo isso pra você. Parar de usar carinhas (: no lugar de todas as palavras que deveriam ser ditas, apenas ditas. “Deixa eu te dizer o que penso. Diga-me o que pensas.” Falando assim, parece tão simples, na verdade deveria ser. [Não coloco mais as mãos no rosto, mas mesmo assim continuo sem entender, você fala pelas entrelinhas, às vezes, não consigo ler.]
Continuei olhando textos e um do Caio F. eu encontrei...

"Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou (...)”

... Ele disse em meu ouvido que não preciso de pretensão; que escrever não é preciso. Porque os sentimentos são assim, todos imprecisos, sem receita ou jeito certo. Não posso escrever algo “diferente de tudo que existe”, mas posso te convidar pra viver comigo algo “diferente de tudo que existe”. Você vem?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010