domingo, 17 de julho de 2011

E...


Que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora
Renato Russo

E eu contemplava a imensidão daquele oceano e reza baixinho. Pedia que ele me fizesse livre, que me fizesse infinita e forte, que me fizesse seu espelho.
E na cadeira que eu postei n’areia eu chorava e me deixava inundar, enquanto a imensa lua afagava minha face com seu ar saudoso de um tempo não tão distante.
E peguei um punhado de areia, cada grão era um sonho, sonho bom, sonho-esperança. E peguei um punhado de areia de sonhos, que se esvaia pelos meus dedos, eu a via indo embora, começando a fazer parte da praia dos sonhos perdidos.
E a brisa da noite me embriagava, aquele torpor que eu sentia me fazia lembrar, lembrar de tudo aquilo que eu mais queria esquecer.
E o tempo. Tempo inimigo. Tempo que passa lento, lento dentro de mim.
E o pássaro solitário que voa pela noite, faz lembrar... O pássaro solitário sou eu, um eu que voa pela vida sem ninguém.
E a maré trás consigo várias coisas, trás consigo pedaços de um outro mundo. A maré que consome a areia e reflete a luz da lua, lua que vive no céu do solitário-pássaro.
E a pintura que essa paisagem forma no meu olhar, essa pintura me renova, essa pintura pra mim é Lux, Viribus e Fidem.

2 comentários:

  1. Bonito, toda pintura deveria ter essa luz

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  2. Escreves muito bem.
    Este é meu verso favorito:
    "E a maré trás consigo várias coisas, trás consigo pedaços de um outro mundo. A maré que consome a areia e reflete a luz da lua, lua que vive no céu do solitário-pássaro."

    http://anna-gabby.blogspot.com/

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